Roubo de identidade: o que fazer, como denunciar e cancelar contas ou empréstimos no seu nome

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Documento de identidade em linhas azuis com uma impressão digital e uma cópia pontilhada presa a um anzol, sobre fundo preto

Uma cobrança de um empréstimo que você nunca fez. Um aviso de que seu nome foi negativado. Um amigo perguntando por que você está pedindo um Pix de um perfil novo com suas fotos. É assim que o roubo de identidade costuma aparecer: alguém está usando seu nome, seu CPF ou sua imagem para enganar outras pessoas ou para abrir contas e contratar coisas que depois cobram de você. É angustiante, e é normal sentir que perdeu o controle. Mas existem passos claros para frear isso, e quanto antes você agir, melhor.

Aqui explicamos como saber se aconteceu com você, o que fazer hoje mesmo, como registrar o boletim de ocorrência e como cancelar contas, empréstimos ou dívidas que não são suas. Quando faz diferença, incluímos também dicas para quem está em Portugal.

Resposta rápida

Se você suspeita que estão usando seus dados: ligue para o seu banco e bloqueie o que for preciso, troque as senhas do e-mail e do banco, guarde as provas e registre um BO. Depois, consulte o Registrato do Banco Central para ver contas e empréstimos no seu CPF e peça a cada empresa, com o BO em mãos, que cancele o que não é seu.

Neste artigo
  1. Sinais de que roubaram sua identidade
  2. O que fazer imediatamente
  3. Como denunciar o roubo de identidade
  4. Contas, empréstimos ou dívidas no seu nome: como cancelar
  5. Perfis falsos nas redes sociais
  6. Como se proteger
  7. Cuidado com quem promete resolver tudo
  8. Quando procurar ajuda profissional

Sinais de que roubaram sua identidade

Roubo de identidade é quando alguém consegue dados suficientes seus para se passar por você. Na internet, costuma aparecer assim:

  • Dívidas que você não conhece. Chegam cobranças, SMS ou ligações de uma financeira, de uma empresa de cobrança ou de uma operadora por contratos que você não assinou.
  • Nome negativado. Você recebe aviso de inclusão em cadastro de inadimplentes por uma dívida que não é sua, ou descobre quando tem um crédito negado.
  • Movimentações estranhas no banco. Compras, transferências, Pix ou empréstimos que você não fez, ou cartões que você não pediu.
  • Conta aberta no seu nome. Uma conta num banco digital que você nunca usou, às vezes usada para receber dinheiro de golpes.
  • Um perfil falso com suas fotos. Alguém cria uma conta no Instagram, no Facebook ou no WhatsApp com seu nome e sua foto e pede dinheiro para seus contatos.
  • Suas contas deixam de ser suas. Você não consegue entrar no e-mail ou nas redes, ou recebe códigos e avisos de troca de senha que não pediu.

Quase sempre começa com dados que vazaram ou que alguém conseguiu com um truque: uma foto do documento enviada para "validar" algo, um falso SMS do banco, uma loja online que não existia. Não se culpe: esses golpes são muito bem feitos e acontecem com muita gente.

O que fazer imediatamente

A ordem importa. Faça isto primeiro, mesmo sem saber ainda o tamanho do problema:

  1. Ligue para o seu banco pelo número oficial (do app ou do cartão). Diga que suspeita de uso indevido dos seus dados, peça o bloqueio de cartões ou acessos se for o caso e pergunte se há operações ou produtos no seu nome que você não reconhece. Anote o protocolo.
  2. Troque as senhas do e-mail principal, do banco e das redes, num aparelho de confiança, e ative a verificação em duas etapas. Confira também o e-mail e o telefone de recuperação: é a primeira coisa que o golpista muda.
  3. Guarde as provas antes de apagar qualquer coisa: prints do perfil falso (com o link), mensagens, cobranças, extratos, e-mails e números de contrato ou protocolo.
  4. Avise seus contatos por outro canal (ligação, outra rede) para não mandarem dinheiro a ninguém que use seu nome.
  5. Se você perdeu ou teve documentos roubados (RG, CPF, CNH), informe isso no BO, como orienta o Ministério da Justiça.

Dica Kironic

Crie uma pasta (no papel ou no celular) e anote cada contato: data, com quem falou e número de protocolo. Parece detalhe, mas na hora de reclamar no banco ou numa financeira, esse registro evita muita dor de cabeça.

Confira se há contas ou empréstimos no seu nome

  • Registrato (Banco Central). É gratuito e mostra as contas bancárias, os empréstimos e as chaves Pix ligados ao seu CPF. Acesse o Registrato com sua conta gov.br. O Ministério da Justiça recomenda consultá-lo de tempos em tempos. Se aparecer algo que você não reconhece, avise a instituição na hora.
  • Em Portugal: consulte gratuitamente o mapa de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal, com as credenciais do Portal das Finanças. Pelo Portal do Cliente Bancário, também é possível pedir ao Banco de Portugal que avise o sistema bancário sobre a perda ou o furto dos seus documentos de identificação.

Como denunciar o roubo de identidade

O boletim de ocorrência é a peça-chave. Ele não serve só para a investigação: é o documento que banco, lojas e birôs de crédito vão pedir para cancelar o que não é seu.

  • Onde: na delegacia virtual do seu estado (registrar ocorrência online) ou numa unidade da Polícia Civil.
  • O que incluir: o que você não reconhece (empresa, data, valor), prints, números de telefone usados, contratos ou protocolos e um relato em ordem de como descobriu.
  • Guarde o número do BO e compartilhe com o banco, como orienta o Ministério da Justiça.

Explicamos o passo a passo em como denunciar um golpe online. Em Portugal, a queixa pode ser feita na PSP, na GNR ou pela queixa eletrónica.

Roubo de identidade, falsidade ideológica ou falsa identidade?

No dia a dia, todo mundo fala em roubo de identidade, mas o Código Penal usa outros nomes. Falsidade ideológica (art. 299) é inserir uma informação falsa num documento, por exemplo um cadastro com seus dados. Falsa identidade (art. 307) é se passar por outra pessoa para obter vantagem. Se houve prejuízo, pode haver também estelionato, inclusive na forma de fraude eletrônica (art. 171). Calma: você não precisa saber qual crime é. Conte bem o que aconteceu e isso fica com a polícia e a Justiça.

Contas, empréstimos ou dívidas no seu nome: como cancelar

Esta é a parte que mais preocupa, então vamos por partes. O ponto principal: se não foi você que contratou, não houve o seu consentimento, e essa é a base para pedir o cancelamento.

  1. Não ignore. Dívidas não somem por falta de resposta e podem acabar negativando seu nome.
  2. Fale com a empresa pelo SAC e formalize por escrito. Diga que não reconhece o contrato, que é fraude, anexe o BO e peça o cancelamento, o fim da cobrança e a cópia do contrato e de como confirmaram sua identidade. Guarde o protocolo.
  3. Se não resolver, suba um degrau: ouvidoria da empresa e, se for banco, uma reclamação no Banco Central. Para outras empresas, Procon ou consumidor.gov.br.
  4. Nome negativado indevidamente? Peça ao credor, com o BO, a retirada do registro. Se não resolverem, o Juizado Especial Cível é uma saída: em causas de até 20 salários mínimos você pode entrar sem advogado.
  5. Conta aberta no seu nome: segundo o Banco Central, depois de comprovar quem você é, você tem direito de receber informações sobre essa conta, e ela costuma ser bloqueada.

É frustrante ter que provar que não foi você. Mas com o BO e reclamações bem feitas, essas situações muitas vezes se resolvem.

Se tiraram dinheiro da sua conta

Se há compras, Pix, transferências ou empréstimos que você não autorizou, ligue para o banco hoje. Pela Súmula 479 do STJ, as instituições financeiras respondem pelos danos causados por fraudes de terceiros nas operações bancárias. Veja todas as opções em como recuperar o dinheiro de um golpe. Em muitos casos o dinheiro é recuperado, sobretudo se você agir rápido.

Um caso típico: a Juliana recebe um SMS de boas-vindas a um empréstimo de R$ 5.000 numa financeira online. Ela não pediu nada. Na mesma tarde liga para o SAC, registra o BO na delegacia virtual e manda um e-mail com o BO dizendo que não reconhece o contrato. No dia seguinte consulta o Registrato para ver se há mais alguma coisa. Agir rápido evita que a dívida cresça e que o nome dela seja negativado.

Perfis falsos nas redes sociais

Quando alguém cria um perfil com seu nome e suas fotos, o caminho mais rápido para derrubá-lo é a própria plataforma:

  • Denuncie o perfil em "Denunciar" → "Está fingindo ser eu" (o texto muda um pouco em cada rede).
  • Peça a amigos e familiares que também denunciem pelas próprias contas e que não respondam às mensagens.
  • Se o perfil pediu dinheiro ou enganou alguém, registre também um BO, e quem pagou deve ligar para o banco na hora e pedir o MED (Mecanismo Especial de Devolução do Pix). Veja o que fazer no golpe do Pix.
  • Se clonaram seu WhatsApp e estão pedindo dinheiro, siga os passos do golpe do WhatsApp.

Como se proteger

Não dá para zerar o risco, mas dá para dificultar muito a vida de quem quer usar seus dados:

  • Não mande foto dos seus documentos por WhatsApp ou e-mail sem ter certeza de quem está pedindo. Se precisar mandar, coloque uma marca d'água com a data e a finalidade.
  • Ative a verificação em duas etapas no e-mail, no banco e nas redes, e use senhas diferentes.
  • Deixe suas redes mais privadas, para que só seus contatos vejam suas informações e fotos.
  • Desconfie de ligações e SMS pedindo dados ou códigos, mesmo que pareçam do banco.
  • Confira seus extratos com frequência e consulte o Registrato de tempos em tempos.

Cuidado com quem promete resolver tudo

Quando a gente está angustiado, é fácil cair em anúncios ou mensagens que prometem "limpar seu nome" ou "recuperar seu dinheiro" em 24 horas mediante pagamento antecipado. Entendemos a vontade de resolver logo, mas quem garante 100% de recuperação em troca de pagamento antecipado costuma ser o segundo golpe. Registrato, BO online e consumidor.gov.br são gratuitos. Antes de pagar a alguém, leia como identificar o golpe da falsa recuperação.

Quando procurar ajuda profissional

Se você só viu um perfil falso e a rede social o derrubou, o BO e ficar de olho nas suas contas costumam bastar. Vale uma análise profissional quando há dinheiro ou dívidas envolvidos: empréstimos no seu nome, movimentações que o banco não devolve, um registro de negativação que não retiram ou contatos que pagaram achando que era você. Nesses casos, um advogado especialista em golpes online pode fazer diferença.

Na Kironic lidamos todos os dias com golpes e uso indevido de dados. Envie o que você tiver, mesmo que esteja desorganizado: analisamos de graça, dizemos o que contestar primeiro e se faz sentido ir além. Em muitos casos o dinheiro é recuperado, sobretudo se você agir rápido. Na Kironic fazemos todo o possível para recuperar o seu dinheiro.

Perguntas frequentes

Como saber se alguém está usando meu CPF?

Os sinais mais comuns são cobranças de dívidas que você não conhece, aviso de negativação no seu nome, cartões, contas ou empréstimos que você não pediu e amigos recebendo mensagens de um perfil com suas fotos. Para conferir, acesse o Registrato do Banco Central com sua conta gov.br: ele mostra contas, empréstimos e chaves Pix ligados ao seu CPF. Em Portugal, consulte o mapa de responsabilidades de crédito no Banco de Portugal.

Onde denunciar o roubo de identidade?

No Brasil, registre um boletim de ocorrência na delegacia virtual do seu estado ou numa unidade da Polícia Civil, com todas as provas. Peça e guarde o número do BO: banco, lojas e birôs de crédito vão pedir. Em Portugal, apresente queixa na PSP, na GNR ou pela queixa eletrónica. Perfis falsos também devem ser denunciados na própria rede social.

Preciso pagar um empréstimo que não fiz?

Se não foi você quem contratou, não houve o seu consentimento, e essa é a base para pedir o cancelamento e o fim da cobrança. Não ignore: avise o banco pelo SAC, peça por escrito o contrato e como confirmaram sua identidade, anexe o BO e guarde o protocolo. Se não resolver, vá à ouvidoria, ao Banco Central, ao Procon ou ao consumidor.gov.br. Agir cedo facilita tudo.

O que é falsidade ideológica? É o mesmo que roubo de identidade?

No dia a dia se fala em roubo de identidade, mas o Código Penal usa outros nomes. Falsidade ideológica (art. 299) é colocar uma informação falsa num documento. Falsa identidade (art. 307) é se passar por outra pessoa para obter vantagem. Se houve prejuízo, pode haver também estelionato, inclusive na forma de fraude eletrônica (art. 171). Você não precisa saber qual crime é: conte bem o que aconteceu no BO.

Dá para recuperar o dinheiro se fizeram compras ou empréstimos no meu nome?

Em muitos casos o dinheiro é recuperado, sobretudo se você agir rápido. Avise o banco na hora sobre qualquer operação que não reconhece. Pela Súmula 479 do STJ, os bancos respondem por danos causados por fraudes de terceiros nas operações bancárias. Desconfie de quem garante 100% de recuperação em troca de pagamento antecipado: costuma ser o segundo golpe.

Fontes